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Cautela no Uso de Anti-Helmíntica

Pesquisador da Embrapa Rondônia faz o alerta alegando que animais podem criar resistência ao medicamento.

NELSON MOURA
SEGUNDA-FEIRA, 07/01/2013

Cautela no uso de anti-helmíntica

Pesquisador da Embrapa Rondônia faz o alerta alegando que animais podem criar resistência ao medicamento

Ouso indiscriminado de anti-helmínticos para tratamento de doenças gastrintestinais e pulmonares em ruminantes tem gerado resistência de alguns parasitas e, consequentemente, prejuízos nos rebanhos. Apesar deste tipo de medicamento ser a principal forma de controle das helmintoses nas regiões tropicais, onde está Mato Grosso, produtores devem ter cautela. O alerta é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Rondônia.

O pesquisador Fábio Barbieri explica que a resistência ocorre por que o uso contínuo de um determinado princípio ativo acaba por selecionar, na população de parasitas alvo, indivíduos naturalmente resistentes que sobrevivem ao tratamento. Ao reproduzirem-se, eles geram descendentes naturalmente resistentes.

Quando eles se tornam mais numerosos, o medicamento começa a perder a eficácia não atingindo a mortalidade esperada. No Brasil, os primeiros relatos de resistência anti-helmíntica ocorreram na década de 60 em rebanhos ovinos. Nos anos 80 e 90 muitos outros foram reportados em rebanhos ovinos e caprinos. Contudo, casos em bovinos estão sendo detectados em muitos Estados brasileiros.

Barbieri alerta que a resistência não é diagnosticada com facilidade pelos pecuaristas. Ele reforça que a suspeita da existência do problema deve ocorrer quando notarem perda de eficácia após os tratamentos. A comprovação é feita com a contagem de ovos dos helmintos antes e após o tratamento, verificando a eficácia do vermífugo.

A resistência é constatada quando um determinado princípio ativo, que apresentava redução da carga parasitária acima de 95%, diminui para níveis inferiores a este valor depois de transcorrido o período de uso.

O que ocorre muitas vezes é que, ao perceber que os tratamentos não estão apresentando o resultado esperado, os produtores aumentam a dosagem ou o número de aplicações. Em outros, troca-se o produto levando em consideração somente o nome comercial, porém, o princípio ativo é o mesmo. “Essas circunstâncias tendem a piorar a situação porque aumentam a pressão de seleção sobre os parasitos e, ao mesmo tempo, aumenta a infecção nos animais, assim como o número de casos clínicos e a taxa de mortalidade dos mesmos”.

As helmintoses gastrintestinais e pulmonares estão entre as doenças que geram grandes prejuízos aos produtores. As perdas econômicas ocorrem devido à baixa produtividade, ao retardo no desenvolvimento, custo dos tratamentos e, em casos de altas infestações, ao aumento das taxas de mortalidade.

Os principais efeitos das helmintoses, que levam ao baixo desenvolvimento dos animais, são a anorexia e a redução da ingestão de alimentos, assim como a perda de sangue e proteínas plasmáticas no trato gastrointestinal, alteração no metabolismo protéico, o decréscimo nos níveis de minerais e enzimas, a diarréia e desidratação.

Barbieri destaca que todos esses fatores contribuem para a diminuição da resistência para várias doenças, podendo causar, secundariamente, alta mortalidade de bezerros nos rebanhos. Grande parte dos parasitas apresenta duas fases distintas no seu desenvolvimento. Uma delas de vida livre, na pastagem, onde os parasitos se desenvolvem até a fase de larva infectante. A segunda, denominada de parasitária, inicia-se com a ingestão das larvas infectantes presentes no ambiente e completa-se com a eliminação dos ovos do parasito nas fezes do hospedeiro que novamente irão contaminar o ambiente.

Temperatura, umidade, luminosidade, altura e densidade da vegetação são os principais fatores que influenciam o desenvolvimento desses parasitas. A elevada capacidade de se reproduzir, adaptabilidade e resistência a diversas condições climáticas fazem com que os endoparasitas tenham ampla distribuição geográfica e alta prevalência em todo país.

Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/pdf/m01a13/g0706r-c.pdf

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