Na Fazenda Santa Cecília, em Carmo do Paranaíba-MG, a história de três gerações pulsa entre os cafezais. É lá que Jéssica Siqueira, 32 anos, carrega com orgulho o legado de sua família, iniciada pelo patriarca João Gonçalves Siqueira, hoje com 100 anos de idade.
Desde criança, Jéssica já se encantava com o ciclo do café nas férias passadas com os avós. Observava as floradas, a colheita, os trabalhadores chegando de longe para compor aquela engrenagem da produção. Mas, por ser menina, muitas vezes não podia estar tão perto do processo. Esse limite imposto pela tradição acendeu nela uma chama: o desejo de um dia voltar para sua terra e fazer parte, de fato, dessa história.
Formada em Agronomia pela UFU, retornou ao Carmo em 2016 e, dois anos depois, iniciou sua jornada no café. Não foi simples. Enfrentou olhares desconfiados, a resistência natural de quem ainda duvida da mulher no campo. Foram anos de luta até conquistar a confiança do pai, dos tios, dos funcionários. Com paciência, trabalho firme e dedicação, mostrou que sabia o que estava fazendo, que havia espaço para ela. Hoje, é presença ativa no manejo da fazenda, conduzindo decisões, aplicando conhecimento e imprimindo seu próprio olhar no negócio da família.
Dar continuidade a esse legado não é apenas uma escolha profissional, mas uma missão de vida. Para Jéssica, é um orgulho imenso ver que todo o esforço de seus avós e de seus pais não se perde no tempo, mas ganha novas formas, novos caminhos e novas forças.
Ela sabe o peso e a beleza de representar tantas mulheres que, como ela, escolheram o campo. Mulheres que enfrentam barreiras, mas que não se deixam intimidar. Mulheres que conquistam cada espaço com trabalho diário, persistência e coragem.
“Ser mulher no campo é resistência, capricho e prosperidade”, resume. E sua mensagem ecoa como incentivo: que nenhuma mulher desista do sonho de viver a agricultura. Obstáculos existirão, mas com sensibilidade, dedicação e coragem — qualidades que sobram no coração de cada trabalhadora rural — é possível conquistar qualquer lugar.
No Dia Internacional da Mulher Trabalhadora Rural, a voz de Jéssica se une a tantas outras para lembrar: o campo também é delas, e o futuro da agricultura também carrega a força feminina.
FONTE/TEXTO: COMUNICAÇÃO CARPEC
